quarta-feira, 11 de novembro de 2015

CONSTELAÇÃO SISTÊMICA NA JUSTIÇA: 12/11/15

             No conjunto de aplicações da Terapia Sistêmica Fenomenológica, a seara jurídica mostra-se um lugar muito adequado e necessário para a regeneração das ordens relacionais feridas. A dimensão das exclusões familiares e sociais, seja por qualquer tipo de perda e afastamento, gera muitas vezes desequilíbrios no fluxo afetivo. Acabam por ser dimensões que potencializam a violência.As pessoas hoje são condicionadas a pensarem que todo e qualquer conflito ou dano ou crime deve ser levado aos processos judiciais, em geral custosos, morosos, e que não satisfazem em geral a nenhuma das partes envolvidas. A Justiça convencional não tem sabido cuidar nem das vítimas, nem do ofensor, nem da comunidade - a qual deveria ter a palavra essencial para a reintegração e socialização. 
           Em geral, vítima e ofensor vêem-se diante de algo maior que lhes determinam num sistema emaranhado de ação e reação. O que comete o mal pode estar condicionado por dramas em seus sistema que ele mesmo desconhece. Quando há um crime, forma-se um sistema interno entre vítima e agressor e que pode reverberar para os filhos, e que deve ser cuidado e olhado a fim de recuperar as ordens do amor.
             Deste modo, para se ir mais a fundo na causa dos conflitos, tanto quanto para poder olhar de modo sistêmico e ampliado para as dimensões de (in)justiça, as Constelações Familiares são não apenas um modo de ver, mas um modo de agir que opera de dentro para fora, de dentro da afetividade, dentro das imagens mentais formadas, das dores, da conexão desejada, da recuperação dos fluxos do respeito, reconhecimento, generosidade, compaixão, tanto quanto a responsabilidade e o pagar as dívidas contraídas quando se comete um mal feito. 
Fica claro que a recuperação de uma visão sistêmica na justiça, e de um Direito com este paradigma, tanto quanto a construção da Justiça Restaurativa, torna-se essencial se queremos cuidar mais profundamente dos conflitos humanos.